Rafiwskis

Isso aqui não é uma defesa dos católicos. Mas, sinceramente, verdade seja dita.

Posted on: dezembro 21, 2010

O que aconteceu com o catolicismo foi fruto da influência do “espírito do tempo” sobre a igreja. Os bárbaros germânicos tinham em sua cultura o hábito de venerar os seus guerreiros mais valentes; daí a cultura católica de venerar os missionários mais dedicados (São Patrício é um ótimo exemplo). Hoje, nenhum evangélico se dobra perante a imagem de seus missionários preferidos, mas vá falar mal de um deles! Uma vez, ouvi uma música de uma banda da igreja Renascer em Cristo: “Espada pelo SENHOR, Espada pelo apóstolo…”

Quando houve o vácuo de poder depois da queda do Império Romano, a única autoridade reconhecida na época, o bispo de Roma, que, aliás, era o mais respeitado por ser o mais ortodoxo (basta lembrar que nenhuma grande heresia da igreja primitiva surgiu lá), se tornou uma liderança natural no poder político da época. Mas a sede pelo poder tornou seus sucessores tão tiranos quanto muitos imperadores romanos. Isso pode acontecer com qualquer religião, inclusive com os evangélicos. Quem não conhece bispos monárquicos, patriarcas ou apóstolos em nossas mega-igrejas atuais, que fariam o mesmo, ou até pior, se estivessem na mesma posição e época?

A infalibilidade do Papa é mal compreendida. Ele só é infalível quando fala ex cathedra, e a última vez que um papa se ousou a fazer algum pronunciamento desse tipo foi em 1950. Por conta da autoridade destes pronunciamentos, Os teólogos católicos têm sérios problemas em resolver contradições de concílios e pronunciamentos papais com a Bíblia Sagrada. Reinterpretações radicais chegam à beira do absurdo lógico. Muitos evangélicos dizem que só defendem a Bíblia, e a tradição não tem valor perante ela, mas, quando eu era adolescente e questionava à luz da bíblia os costumes de minha denominação, eu escutava: “Mas eu aprendi assim…”. Essa frase mostra a importância da tradição no julgamento de questões éticas e na interpretação bíblica. Virtualmente, nossos líderes não tem a humildade de reconhecerem erro ou ignorância, são, portanto, piores que o papa, pois dizem que são falíveis, mas a maioria deles não se enxerga assim. São, portanto, infalíveis hipócritas.

Outro problema que a igreja católica enfrentou foi com relação ao tratamento da filosofia secular em seu meio. Existiam religiões influenciadas pelas ideias de Platão, em que se considerava tudo o que era material essencialmente ruim, e tudo o que é espiritual bom (Uma interpretação do mundo das formas e do mundo das ideias: Em resumo, O mundo material era o das formas, e o das ideias, seria o espiritual). Essas ideias, aliadas a uma corrente de interpretação das cartas de Paulo, procuraram fugir de tudo o que era carne. O ascetismo cristão nasceu assim, e os mosteiros levaram essa tradição para onde o cristianismo chegasse, com a castidade, a pobreza(e o lucro, sendo considerado usura), e a obediência.

Mas engana-se quem acha que só os católicos foram impactados com isso.

O Humanismo, com seu interesse pelos clássicos, motivou Erasmo de Roterdã a fazer seu Novo Testamento Grego, que motivou vários cristãos da época a correr para as fontes. Estava se formado um dos motores da Reforma.

As ideias liberais, de objetividade do observador, de alta crítica e de interpretação científica da bíblia levou ao liberalismo teológico, o que impactou a maioria das herdeiras diretas da reforma. Deus deu seu lugar ao homem, e Jesus deixou de ser Deus. Karl Barth, que defendia que a Bíblia não era a palavra de Deus, é considerado ortodoxo nesse meio(!); neo-ortodoxo, para ser mais exato.

O marxismo deixou sua marca na teologia da libertação. Não só o marxismo, como também o movimento feminista da década de 60.

Na típica sociedade capitalista cosmopolita, com a mentalidade individual moldada pelos meios de comunicação em massa, onde o ser humano vale o que tem, a fé se transforma em comércio e a teologia da prosperidade ganha espaço entre pessoas que transformam sua salvação em produto. Isso entre nós, santos e sensatos protestantes.

Outro fato interessante é que um filósofo, que estava descontente com a frieza e impessoalidade da igreja Luterana na Dinamarca deixou em seu legado ideias que influenciaram a filosofia do século XX: A importância da experiência do indivíduo no todo. Søren Kierkegaard, por assim dizer, foi o início do fim do liberalismo.
Hoje, pipocam comunidades de cristãos que fogem de instituições formais, pregam a tolerância em questões teológicas que antes foram pivô de várias divisões de denominações e chegam a defender o uso do palavrão como meio de reaproximação social com os não-cristãos. Trata-se dos pós-modernos, que são fortemente influenciados pela filosofia da linguagem do século XX, além do relativismo e a incerteza inerente à natureza(física moderna) e às interpretações pessoais dos fatos. Como toda linguagem é relativa, palavrões, segundo alguns deles, só fazem sentido como negativos em determinado tempo, espaço e contexto. Trata-se de uma consequência da descontrucionalismo.

Assim, podemos dizer que a filosofia não transformou só a igreja católica, mas o cristianismo como um todo. O que não é de todo ruim, pois a filosofia de cada tempo reflete as ansiedades e inquietações de cada época, e nós, como embaixadores do Rei, temos um papel a cumprir. O problema é nos confundir com os pressupostos dos nossos questionadores, e esquecermos o nosso principal: nossa missão.

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. Devemos aceitar os questionamentos da filosofia de cada tempo, para sermos relevantes como Corpo de Cristo. Temos que ouvir as pessoas. Temos que ser luz. Acontece que não podemos nos conformar com a solução que a filosofia nos apresenta. Sabemos que a solução é a Verdade, e temos certeza que a verdade não nos pertence, de outro modo, pertencemos à Verdade, ao Caminho e à Vida. E temos que reconhecer que conhecemos em parte, e, só depois, conheceremos como somos conhecidos.


“Fora Dela não há Salvação nem perdão…”

Quantas vezes já ouvi frases que, eu seu sentido, eram semelhantes a essas:
“Só nós, que guardamos o Sábado, seremos Salvos”

“Nós, os herdeiros da Reforma, temos que salvar os evangélicos da ignorância”

“Nós somos prósperos porque exercitamos nossa fé, os outros são fariseus sujos”

“Eu não sei para onde vou, mas sou cristão pós-moderno e não pertenço a esse meiode ignorantes manipulados”

“Nós somos mais santos, por isso, não jogo futebol”

“O que você quer aqui nesse show do Katsbarnea, seu assembleiano fariseu?”(essa já falaram para mim :D)

Não faz sentido nos acusarmos por causa de rótulos. O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria. De tudo o que tens ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda seus mandamentos, pois isso é dever de todo homem. Dos 613 mandamentos, o mais importante é esse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento, e ao teu próximo como a ti mesmo.
Jesus disse:
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”
Outra frase:
“Errais, não conhecendo as Escrituras”
Simples. sem denominações, sem rótulos, sem preconceitos. Quando a prática é correta, a tradição é consoante às Escrituras. E elas devem ser nossa base de fé e conhecimento.

Que Deus nos ajude.

Tava sem paciência para colocar as referências, imagens são da internet e tem vários versículos bíblicos dentro do texto

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